Como publicar um livro de poesia em Portugal
Tens poemas guardados em pastas, no telemóvel, em cadernos de há anos. A certa altura aparece a pergunta: como é que isto se transforma num livro que alguém possa ter nas mãos? Publicar poesia em Portugal é possível, e não precisas de ter um nome conhecido para o conseguir. Neste guia explicamos o caminho, desde reunir os textos até enviar o original a uma editora.
Tens um livro de poesia? A poesia é uma das nossas linhas. Na via tradicional, se selecionarmos a tua obra, financiamos a edição a 100% (0 € para ti); a coedição existe, é opcional e é sempre proposta por escrito. Respondemos em 10 dias, no máximo. De momento, só recebemos originais em português de autores residentes em Portugal. Envia-nos os teus poemas.
Seleciona e ordena os poemas
Antes de pensares em editoras, precisas de ter um livro, e não apenas um monte de poemas soltos. A diferença está no conjunto. Um bom livro de poesia tem uma voz reconhecível e, quase sempre, um fio que o atravessa: um tema, um estado de espírito, uma fase da vida, uma obsessão que regressa.
Começa por reunir tudo e ler com distância. Vais ver que há poemas que se aguentam sozinhos e outros que foram exercícios de um momento. Não faz mal deixar metade de fora: publicar poesia é também aprender a excluir.
Feita a seleção, pensa na ordem. Em poesia, a ordem conta muito mais do que parece:
- A entrada. O primeiro poema marca o tom. Escolhe um que abra a porta ao teu mundo, não o mais longo nem o mais difícil.
- O ritmo interno. Alterna poemas intensos com outros mais leves, para a leitura respirar.
- As partes ou secções. Se o livro o pedir, agrupa os poemas em blocos com sentido próprio.
- O fecho. O último poema é o que fica a ecoar. Guarda-o para o fim de propósito.
Extensão e título
Não há uma regra fixa para a extensão, mas convém ter uma referência. Um livro de poesia costuma ter entre 40 e 70 páginas, o que na prática corresponde a cerca de 30 a 60 poemas, conforme o tamanho de cada um. Não se trata de chegar a um número: um livro breve e coeso vale muito mais do que um livro inchado com poemas de enchimento.
O título merece tempo. É a primeira coisa que um editor lê e a primeira que um leitor vê. Algumas pistas:
- Procura-o dentro do livro: um verso, uma imagem que se repete, o título de um dos poemas.
- Prefere um título concreto a um abstrato. Palavras como «alma» ou «silêncio», sozinhas, dizem pouco sobre o teu livro em particular.
- Di-lo em voz alta. Se custa a dizer, custa a recomendar.
- Pesquisa antes de decidir, para não repetires o título de um livro que já existe.
Revê cada verso
A poesia não perdoa o descuido. Num romance, uma frase fraca passa quase despercebida entre milhares; num poema de dez versos, cada palavra pesa.
Lê os poemas em voz alta. É o melhor truque que existe: o ouvido apanha o que o olho perdoa. Vais notar se um verso coxeia, se há uma palavra a mais, se uma imagem não encaixa. Revê também a pontuação e as quebras de verso, que em poesia são decisões de sentido e não só de forma.
Em poesia, rever não é tirar alma ao poema: é tirar-lhe tudo o que estorva, para que a alma se veja melhor.
Um conselho: deixa o original repousar. Guarda-o umas semanas e volta a lê-lo com olhos novos. Se puderes, dá-o a ler a alguém de confiança e com bom critério.
As vias para publicar poesia em Portugal
Com o livro pronto, é altura de decidir como o publicas. Há vários caminhos e nenhum é o único certo; depende do que procuras.
- Editora tradicional. A editora seleciona a obra e assume todos os custos da edição. Tu não pagas nada. É a via mais exigente, porque nem tudo o que chega é aceite. Explicamos o modelo em editora tradicional.
- Coedição. Autor e editora partilham o investimento e, em troca, o autor recebe uma percentagem maior por exemplar vendido. É uma via legítima, desde que as condições fiquem claras e por escrito antes de assinares.
- Prémios literários. Alguns prémios de poesia publicam a obra vencedora. Convém ler bem o regulamento antes de concorrer.
- Edição de autor. Pagas tu a produção e ficas com todo o controlo. É uma opção válida se queres autonomia total, sabendo que o investimento e a divulgação ficam por tua conta.
- Antologias e revistas. Publicar poemas soltos em antologias coletivas ou revistas literárias não é o mesmo que ter o teu livro, mas é uma boa forma de pôr a tua voz a circular.
Editoras de poesia em Portugal: como escolher a quem enviar
Nem todas as editoras publicam poesia, e nem todas as que publicam estão a receber originais. Antes de enviares, confirma três coisas no site de cada uma:
- Se a poesia faz parte do catálogo. Uma editora que só publica romance não é o sítio certo para o teu livro.
- Se aceita originais de poesia de novos autores e por que meio os quer receber.
- Em que condições publica. Se te pedirem uma contribuição, não é uma edição tradicional: é coedição ou edição paga. Não há nada de errado nisso, desde que saibas à partida o que estás a aceitar.
Sobre este último ponto, vale a pena leres editoras que não cobram para publicar.
Quanto custa publicar um livro de poesia
Depende de quem paga. Numa editora tradicional que selecione a tua obra, o custo para ti é de 0 €. Na coedição, o investimento é partilhado. Na edição de autor, pagas os serviços que contratares.
Para teres uma ordem de grandeza, e segundo guias portugueses do setor, quem paga a sua própria edição encontra valores orientativos de 500 a 2.000 € pela revisão, 100 a 500 € pela capa, 100 a 300 € pela paginação e 5 a 10 € por exemplar na impressão de pequenas tiragens. Explicamos tudo, modelo a modelo, em quanto custa publicar um livro em Portugal.
Prepara o original para o envio
A forma como apresentas o livro diz muito sobre ti. Um envio cuidado não garante o sim, mas um envio desleixado aproxima o não.
- Um ficheiro limpo e legível. Tipo de letra sóbrio, margens normais, cada poema a começar na sua página. Nada de fundos, cores ou enfeites.
- Com índice. Num livro de poesia, o índice com os títulos dá uma ideia do conjunto num relance.
- Uma apresentação breve. Em poucas linhas: quem és, o que é este livro e porque achas que tem lugar naquela editora. Sem exageros.
- Respeita o que cada editora pede. Se indicam formato, extensão ou meio de envio, segue-o à risca.
Publicar poesia connosco
Na Editorial Tepublicamos, a poesia é uma das linhas de trabalho, a par do romance, dos contos, das memórias e do ensaio. Temos mais de 8 anos de percurso e mais de 150 autores publicados. O nosso catálogo atual está em espanhol, e os títulos em português serão os primeiros: dizemo-lo com toda a franqueza.
A via principal é a tradicional: se selecionarmos o teu livro, financiamos a publicação a 100%. Isso inclui a revisão ortotipográfica, a paginação (que em poesia tem a sua arte, porque o branco da página também fala), a capa, o ISBN e a edição em papel e em ebook. O livro fica à venda na Amazon e por impressão a pedido nas lojas online da editora em Espanha e na América Latina. Ajudamos-te ainda na apresentação, com cartaz, guia para redes sociais e contacto com meios de comunicação locais.
Se um projeto se enquadrar melhor em coedição, propomo-la por escrito e sem compromisso; és tu que decides. Em nenhuma das vias exigimos um mínimo de vendas nem a compra de exemplares, e os direitos de autor ficam contigo. Podes ver como publicamos, passo a passo.
Perguntas frequentes sobre publicar poesia
Quantos poemas deve ter um livro de poesia?
Não há uma regra fixa. Como referência, um livro de poesia costuma ter entre 40 e 70 páginas, o que corresponde a cerca de 30 a 60 poemas, conforme o tamanho de cada um. Vale mais um livro breve e coeso do que um livro cheio de poemas de enchimento.
Quanto custa publicar um livro de poesia?
Depende da via. Numa editora tradicional que seleciona a obra e financia a edição, o autor paga 0 €. Na coedição, o investimento é partilhado entre autor e editora. Na edição de autor, pagas os serviços que contratares: revisão, paginação, capa e impressão.
A Tepublicamos aceita originais de poesia?
Sim. A poesia é uma das nossas linhas, a par do romance, dos contos, das memórias e do ensaio. De momento, só recebemos originais em português de autores residentes em Portugal, e respondemos a todos em 10 dias, no máximo.
Tens outras dúvidas? Vê as perguntas frequentes.
Em resumo
- Um livro de poesia não é um monte de poemas: cuida da seleção, da ordem e da voz do conjunto (40 a 70 páginas é uma boa referência).
- Escolhe um título concreto e revê cada verso em voz alta.
- Tens várias vias: editora tradicional, coedição, prémios, edição de autor ou antologias.
- Antes de enviares, confirma se a editora publica poesia, se aceita originais e em que condições.
- Connosco, na via tradicional o autor paga 0 €, e respondemos em 10 dias.