Guia para autores

Editoras que não cobram para publicar: como funcionam e como escolher

Por Editorial Tepublicamos · Atualizado em outubro de 2026 · Leitura de 8 minutos

Se andas à procura de editoras que não cobram para publicar, já deves ter encontrado de tudo: editoras que publicam livros de graça, coedição, edição de autor, plataformas online… e muitas páginas que dizem coisas parecidas com palavras diferentes. A pergunta de fundo é simples: é possível publicar um livro sem pagar nada? É. Mas «grátis» não quer dizer o mesmo em todos os modelos, e é aí que convém ter atenção.

Neste guia explicamos os modelos que um autor encontra em Portugal, o que significa na prática «publicar de graça» em cada um, e deixamos-te uma lista de verificação para escolheres com transparência.

Em poucas palavras: publicar sem pagar existe e é o que fazemos na via tradicional: se selecionarmos a tua obra, financiamo-la a 100% (0 € para ti). Também temos coedição, opcional e sempre proposta por escrito. Envia-nos o teu original e respondemos em 10 dias, no máximo.

Existem mesmo editoras que publicam livros de graça?

Sim. É o que faz uma editora tradicional: assume 100% do investimento porque acredita na obra, e o autor não adianta dinheiro nenhum. Nem pela revisão, nem pela capa, nem pela paginação, nem pelo ISBN, nem pela impressão.

A contrapartida é a seleção. Uma editora que investe o próprio dinheiro não pode publicar tudo o que recebe. Segundo os dados da APEL, em 2025 venderam-se em Portugal 14,8 milhões de livros, num mercado de 217,5 milhões de euros, e chegaram às prateleiras cerca de 15 mil novidades. Há leitores, mas também muita oferta, e cada editora só consegue apostar em alguns títulos.

Por isso, ouvir um «não» é normal. O que deve ser sempre gratuito é lerem o teu original e responderem-te.

Se a editora não te cobra, de onde vem o dinheiro?

É a pergunta mais sensata que podes fazer, e a resposta é curta: da venda dos livros.

A editora adianta o custo da edição e recupera-o, se o recuperar, à medida que os exemplares se vendem. Para teres uma ideia desse custo, os guias portugueses do setor apontam estes valores orientativos para quem paga a sua própria edição: entre 500 e 2.000 € pela revisão e edição do texto, 100 a 500 € pela capa, 100 a 300 € pela paginação e 5 a 10 € por exemplar na impressão em pequenas tiragens. Explicamos tudo com mais pormenor em quanto custa publicar um livro.

Isto tem uma consequência importante: os interesses da editora e os teus coincidem. Se o livro não se vender, a editora perde dinheiro. É por isso que só aceita obras em que acredita.

E tu, o que recebes? Direitos de autor por cada exemplar vendido. Numa editora tradicional portuguesa, o habitual é entre 8% e 12% do preço de venda ao público, sendo 10% o valor mais comum. E como a lei do preço fixo limita os descontos a 10% nos primeiros 24 meses, esse preço mantém-se estável enquanto o livro é novidade.

Os modelos que um autor português encontra

Antes de enviares o teu original, ajuda saber em que modelo estás. São quatro:

  • Editora tradicional que não cobra. A editora seleciona a obra e paga todos os custos da edição. Tu não pagas nada e recebes direitos de autor. É a via mais exigente na seleção, porque o risco é todo da editora.
  • Coedição, ou edição com participação do autor. Autor e editora partilham o investimento e também os resultados. Continuas a ter uma equipa editorial a trabalhar no livro e, por assumires parte do risco, recebes uma percentagem maior por exemplar. É legítima, desde que as condições estejam claras e por escrito.
  • Edição de autor, ou autopublicação em plataformas. És tu quem publica, através de plataformas como a Amazon KDP, a Bookmundo, o Clube de Autores ou a Bubok. Ficas com o controlo total e com uma fatia maior de cada venda. Em troca, quem decide, gere e divulga és tu.
  • O que se costuma chamar «vanity». É o nome informal (do inglês vanity press) que se dá às empresas que publicam praticamente tudo o que recebem, porque é o autor quem paga a edição completa, diretamente ou através da compra de exemplares. É um serviço pago, e não há mal nenhum nisso quando é apresentado como tal. O equívoco só surge quando se chama «gratuito» a algo que sai do bolso do autor.

Nenhum é melhor em abstrato. O importante é saberes, sem margem para dúvidas, qual deles te estão a propor.

O que significa «publicar de graça» em cada modelo

A mesma palavra esconde realidades muito diferentes:

  • Na editora tradicional, «grátis» quer dizer mesmo 0 €: não pagas a edição, não compras exemplares e ainda recebes direitos de autor. O «preço» é passares pela seleção.
  • Na coedição, não é grátis, e uma editora séria nunca a apresenta assim. Há um investimento teu, que deve vir descrito numa proposta escrita, com tudo o que inclui.
  • Nas plataformas de autopublicação, em geral não pagas para carregar o ficheiro e pôr o livro à venda por impressão a pedido (confirma sempre as condições de cada uma). Mas a revisão, a capa e a paginação ficam por tua conta: ou as fazes tu, ou as pagas à parte. E lembra-te de que não existe Amazon.pt: em Portugal, compra-se na Amazon.es.
  • No modelo «vanity», a publicação pode ser anunciada sem custos, mas se o contrato te obrigar a comprar um número mínimo de exemplares, é essa compra que paga a edição. Faz as contas antes de assinar.

Como publicar um livro gratuitamente em Portugal: lista de verificação

Seja qual for a via, o que faz a diferença é a clareza. Antes de assinares, garante que tens resposta a estas perguntas:

  • Quem paga o quê? Revisão, paginação, capa, ISBN, impressão, divulgação. Pede a lista completa e quem assume cada ponto.
  • Há compra obrigatória de exemplares? Um mínimo obrigatório é, na prática, uma forma indireta de pagares a edição.
  • O que acontece aos teus direitos? Tens de saber o que cedes, durante quanto tempo e o que recebes em troca. A autoria da obra é sempre tua.
  • Está tudo num contrato por escrito? O que foi dito por telefone ou por mensagem não conta. Se não está no contrato, não existe.
  • Qual é o prazo de resposta? Uma editora organizada diz-te quando vais ter notícias, e cumpre.
  • Onde fica o livro à venda? Livrarias, Amazon, loja própria, só online? Pergunta em concreto até onde chega o teu livro e em que formatos.
Uma boa editora explica-te com clareza que modelo te propõe e porquê, e dá-te tempo para decidir. A transparência é o melhor sinal de confiança.

O que nós fazemos, sem letras pequenas

Na Editorial Tepublicamos, com mais de 8 anos de trabalho e mais de 150 autores publicados, a via principal é a tradicional. Se a tua obra for selecionada, financiamos 100% da edição e tu pagas 0 €: revisão ortotipográfica, paginação, capa, ISBN e impressão ficam por nossa conta. Não exigimos mínimo de vendas nem compra de exemplares, e os direitos de autor continuam a ser teus.

A coedição é a nossa segunda via. É opcional, com investimento partilhado e uma percentagem maior por exemplar para ti. Quando achamos que um projeto se enquadra melhor nela, enviamos uma proposta por escrito e sem compromisso. Tu decides com calma.

Sobre a venda, preferimos ser diretos: o teu livro fica disponível em papel e em ebook na Amazon, e por impressão a pedido nas lojas online da editora em Espanha e na América Latina. Não te prometemos mais do que isto.

De momento, só recebemos originais em português de autores residentes em Portugal. Publicamos romance, poesia, contos, memórias e ensaio; não publicamos livros infantis. E o nosso catálogo atual está em espanhol: os títulos em português serão os primeiros, e o teu pode ser um deles.

Respondemos a todos os originais em 10 dias, no máximo, e a avaliação é gratuita, aceitemos a obra ou não. Se quiseres ver o processo passo a passo, está em como publicamos. Podes ler também as opiniões dos nossos autores e, se escreves poesia, o guia sobre como publicar um livro de poesia.

Perguntas frequentes

Existem editoras que não cobram para publicar em Portugal?
Sim. São as editoras que trabalham em edição tradicional: assumem 100% do custo da edição e o autor não adianta nada. A contrapartida é a seleção: como investem o próprio dinheiro, só publicam as obras em que acreditam.

Como publicar um livro sem pagar nada?
Há dois caminhos. O primeiro é seres selecionado por uma editora tradicional, que paga a edição e te paga direitos de autor por cada exemplar vendido. O segundo é a autopublicação numa plataforma, onde em geral não pagas para pôr o livro à venda, mas a revisão, a capa e a paginação ficam por tua conta.

A coedição é uma forma de publicar gratuitamente?
Não. Na coedição, autor e editora partilham o investimento e, em troca, o autor recebe uma percentagem maior por exemplar. É uma via legítima desde que seja opcional e as condições te cheguem por escrito antes de decidires.

As editoras que publicam gratuitamente aceitam primeiros livros?
Sim. Muitas editoras tradicionais publicam primeiras obras. O que se avalia é o original: que esteja terminado, cuidado e se enquadre na linha da editora. O teu percurso anterior conta menos do que o texto.

Ficaste com mais dúvidas? Temos uma página inteira de perguntas frequentes.

Em resumo

  • Há editoras para publicar livros grátis: são as que trabalham em edição tradicional, pagam a edição e selecionam a obra.
  • Coedição, autopublicação e serviços pagos são opções legítimas quando são apresentadas pelo que são.
  • Antes de assinares: quem paga o quê, compra de exemplares, direitos, contrato escrito, prazo de resposta e pontos de venda.
  • Na Tepublicamos, a via tradicional custa 0 € ao autor se a obra for selecionada; a coedição é opcional e proposta por escrito.

Tens um original terminado? Se resides em Portugal e escreves em português, envia-nos o teu original. Lemo-lo sem custos e respondemos em 10 dias, no máximo.